Um canteiro para quem vive de flor em flor. Um pequeno lugar para a vida acontecer.
Na nossa escola, estamos plantando mais do que flores.
Estamos criando um pequeno espaço de alimento, encontro e abrigo para abelhas sem ferrão, borboletas e outros animais que visitam as flores.
E estamos criando também um lugar para observar.
Porque, quando plantamos, algumas coisas acontecem imediatamente. Outras precisam de tempo.
Plantamos → esperamos → observamos → descobrimos.
O que acontece quando uma abelha visita uma flor?
Quando um animal visita uma flor em busca de alimento, ele pode carregar consigo grãos de pólen. Ao visitar outra flor, parte desse pólen pode chegar ao estigma, a região da flor onde o pólen é recebido. Esse processo é chamado de polinização. A polinização é um dos serviços que os ecossistemas oferecem e ajuda muitas plantas a produzir sementes e frutos.
No Brasil, ela também é muito importante para a agricultura: um estudo nacional avaliou 141 culturas agrícolas e encontrou 85 que dependem da polinização por animais.

Quem são esses visitantes?
Quando pensamos em polinização, geralmente pensamos nas abelhas. E elas realmente têm um papel enorme. Mas não estão sozinhas.
Abelhas, borboletas, mariposas, moscas e besouros estão entre os importantes polinizadores encontrados no Brasil. Também existem plantas que recebem a visita de aves, morcegos e outros animais. Por isso, um jardim para polinizadores pode ser muito mais interessante do que parece. Podemos plantar uma flor e descobrir que ela recebe uma verdadeira comunidade de visitantes.
Por que as abelhas sem ferrão?
As abelhas sem ferrão fazem parte da biodiversidade brasileira e são especialmente interessantes para conhecermos de perto.
Estimativas reunidas por cientistas brasileiros indicam que entre 40% e 90% das árvores nativas brasileiras podem ser polinizadas por abelhas sem ferrão.
Elas também fazem parte da história e dos conhecimentos de diferentes povos indígenas, que conhecem seus ninhos, comportamentos, ciclos de vida e relações com o ambiente.
Assim, ao observar uma pequena abelha visitando uma flor, estamos olhando para muito mais do que um inseto.
Estamos encontrando uma parte da biodiversidade brasileira.
E as borboletas?
As borboletas também visitam flores e podem participar da polinização.
Mas existe algo ainda mais curioso: a planta que alimenta a borboleta adulta não é necessariamente a mesma planta que alimenta sua lagarta.
As borboletas adultas frequentemente procuram flores em busca de néctar.
Já as lagartas precisam encontrar determinadas plantas para se alimentar.
Por isso, se queremos realmente acolher borboletas, precisamos pensar não apenas em flores, mas também em plantas que possam servir de alimento para suas lagartas.
Isso significa que algumas plantas do nosso canteiro podem ser comidas.
E isso é uma boa notícia.
Uma folha mordiscada por uma lagarta não é uma folha “estragada”.
Pode ser sinal de que a vida encontrou o caminho até o nosso jardim.
Por que um canteiro pode fazer diferença?
Pequenos espaços verdes também podem oferecer recursos para a fauna e criar oportunidades para que plantas e animais estejam presentes em ambientes onde vivemos.
Áreas verdes podem oferecer habitat para a fauna, além de benefícios educativos, culturais, recreativos e de bem-estar para as pessoas.
ESPECIES NO CANTEIRO DE POLINIZADORES
COSMOS Cosmos sulphureus
Uma flor que chama a atenção nossa e dos polinizadores.
Suas flores oferecem recursos que podem ser utilizados por borboletas, abelhas e outros insetos, contribuindo para a diversidade de visitantes do canteiro.
PICÃO-PRETO Bidens pilosa
Uma planta espontânea que merece um novo olhar.
Apesar de muitas vezes ser retirado dos jardins por ser considerado uma “erva daninha”, suas flores têm importante relação com os polinizadores.
A Embrapa registra abelhas e borboletas como agentes de polinização e identifica pólen e néctar como recursos florais.
TITÔNIA Tithonia diversifolia
Uma grande flor para muitos pequenos visitantes.
Estudos mostram que a titônia pode atrair uma grande diversidade de artrópodes e tem potencial para contribuir para a diversificação de agroecossistemas.
RÚCULA Eruca vesicaria
Uma hortaliça que também pode florescer para os visitantes do jardim.
Para o nosso canteiro, há uma ideia importante: não colher todas as plantas antes que floresçam.
Quando deixamos algumas rúculas completar seu ciclo, elas produzem flores que podem ser observadas e visitadas por insetos. Assim, a mesma planta nos oferece alimento e flores — e nos permite acompanhar uma parte de seu ciclo de vida.
MANJERICÃO Ocimum basilicum
Uma planta que alimenta pessoas e polinizadores. O manjericão é originário da Ásia, é aromático e pode florescer ao longo do ano. O Jardim Botânico da USP registra sua polinização por abelhas.
Para esse texto foram utilizadas informações do 1º Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos. São Carlos: Editora Cubo, 2019.
BPBES_Completo_VF.pdf
https://www.bpbes.net.br/wp-content/uploads/2019/09/BPBES_Completo_VF.pdf


